.senso de humor doentio, insípido, inodoro, instável, tenho pouco, apenas idéias, sofro de insônia, poucas certezas. Sou apenas mais uma alma, perdida no escuro, entre todas as outras.

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12.4.9 Is there anybody in there?

não há nada,
 não há nada,
  dentro
     ou
     fora...


por dentro há o nada,
não há nada do lado de fora,
que me faça acreditar,
que possa preencher o lado de dentro...


 onde está o sentido das coisas,
 quando todas as coisas não fazem sentido?


fui embora,

 me abandonei,

   hoje sou vago,

  apenas um corpo,

     vagando perdido,

        nesse deserto

         entre os mortos da tv

        e os comerciais

                    de

                          margarina...




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8.2.9 falta de ar

melhor apagar a luz,
para que não veja nada,
só quando o nada em você estiver,
é que estará pronto para se conhecer...

nem sempre tudo é tão simples,
quando tudo o que se vê é belo.
nem sempre tudo é tão doce,
quando o amargo é tudo que se sente...

 

o passado passou,
mudo e silencioso...

o futuro dalí sorri,
assustador e desconhecido...

não há nada que se faça para mudar
as rugas que surgem e as cicatrizes
que batem no mesmo compasso do meu peito.




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6.1.9 longe

longe urge
tão pouco foge
o anseio surge
tudo o que comove

longe urge
onde não há nuvem
o horizonte é longe
não há olho que enxergue

longe tange
os lábios fogem
na cabeça que arde
o peito que expande

longe tange
a sina que aflige
o tudo que se perde
no anseio que me repele...

já faz tanto
já faz tempo
não foi ontem
mas faz sempre...

 




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26.9.8 let me alone for a while

sempre o mesmo
sempre
           o mesmo
     desprezo,
          prezo
          pelo
             mesmo
                     desejo

                  insônia
                      ânsia
                 circunflexo
                       no
                      meio
                       do
                      meu
                      sono...


          let me alone for a while
          while I'm alone let me...

 




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2.9.8 new fuckin life

  tudo novo
    de novo
  tudo
    me consome
       como se eu fosse
   uma nova víbora...
 

  as coisas me devoram
     as hipocrisias não se calam
   os desejos patéticos se renovam
       e sim,
        tudo de novo
             uma linda e nova
                       não-vida...




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29.6.8 disritmia asíncrona e nebulosa


penso em você
    e me disperso
    pela tempestade...




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7.6.8 to travessia

já não paro
    não me calo,
  não me curo,
    desse furo
 feito no meu peito.

 meu ritmo
    segue solto,
  compassos ternários
    entre uma lágrima nesse mar revolto
       e torpores acidentários
          de um coração ressolto.


        assim eu sigo,
        me engano e não supero,
        um dia daqui você some.
        assim espero.

 

 

 "quando você foi embora,
         fez-se noite em meu viver.
         forte eu sou mas não tem jeito,
         hoje eu tenho que chorar.
         minha casa não é minha
         e nem é meu este lugar.
         estou só e não resisto
         muito tenho pra falar..."
         (Milton Nascimento)




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27.5.8 agora, mas só agora.

estou tão só
 que poderia de repente,
  sem querer,
   me sentir único,
    abandonado,
     uma página virada
      de um livro
       esquecido na estante,
        empoeirado.
         só...


   mas isso passa,
   passa sim,
   o tempo ainda é mais forte,
   e quando a gente envelhece
   a música fica mais bonita
   e as lembranças mais apuradas,
   mesmo que a saudade doa mais que a morte.




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19.5.8 verset

Ici je suis.
   Coincé dans ce verset,
    la hausse à ce que je
  ou le début ce dont j'ai besoin.
    De là, je vais.
      L'inverse,
         bien,
           l'inverse s'est produit ...

 

Aqui estou.
  Parado nesse verso,
   o avesso ao que quero
 ou o começo do que preciso.
   Daqui eu vou.
     O verso,
        bom,
          o verso passou...

 




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  13.5.8 eu sou assim...

minha voz é precisa
     e preciso dela pra gritar bem alto,
  do alto desse tormento,
             que o mundo, 
                   por mais imundo que seja,
         no fundo amigo,
                 é tudo o que temos
                 e a vida é boa
                e não há quem tire isso de nós
         quando nos tornamos
                nosso próprio abrigo
                   nossa fonte de paz, 
                      nossa força
                          a essência que nos faz...

              é mais ou menos como diz a canção:
                     "é preciso estar atento e forte,
                           não temos tempo de temer a morte..."




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6.5.8 dela

dela
  sobrou o rastro
    estático da minha energia.

 dela
  ficou o espasmo
   plácido de tamanha euforia.

    dela
     sobrou o cheiro, o estrago,
      minha eterna agonia.

        mas nela
         ficou meu cansaço
          como forma de alegria.

            nela
              habita meu espaço
               que forma nossa sinestesia.

                   nela
                    me deito agora exausto
                      cheio de nostalgia...




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10.4.5 celos


     Você dói!
        Dói fundo,
    dói muito,
           dor pontiaguda,
                   profunda e surda.

           Eu me afogo suave,
    em tácitos goles de ausência.
   O tango
        toca
           tóxico
               cada acorde,
    dessa misantropia que
               sua ausência
                     causa,
          da voz muda
                que sua ausência fala,
              da forma invisível,
                com que lhe vejo em sua falta.


            agora somos só nós,
       bailando nesta sala,
            vazia ao som do piano, 
                 só nós dois,
                     eu e sua falta.

          
  a dor da falta é um açoite,
                       a dor da falta é como um corte,
        a dor da falta, é falta de sorte,
                           dói tanto que parece morte,
            não há quem explique e
                                não há quem não entenda
                                             a dor que uma falta faz...

 




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9.4.8 quanto tempo faz?

Quanto tempo faz?
     Eu já não te vejo,
        nitidamente,
             como te desejo.

Assim vai o tempo,
 corroendo lentamente.
   Porque o tempo,
     quando passa magoa,
        mas quando morre ecoa.

  E o que quer que eu faça,
        você não passa,
     no tempo ficou,
         parada no centro,
    daquela praça.
         Com os braços abertos,
             e olhos fechados,
                    girando,
             sorrindo, 
                   vivendo,
              no passado,
                   dentro
                  de
                    mim,
                  eternizada,
                    como um anjo,
                       numa viagem
                           sem
                             fim.


                 E riscado,
                    na minha alma,
                    dorme profundo
                        seu nome.

                            Cada gesto,
                                cada forma,
                        cada expressão,
                               cada resto de palavra,
                           cada impressão.
                               Sua pele,
                             tatuada em meu peito,
                               sua alma brilhando,
                                  suave e sem jeito.

                            Sua luz,
                             mesmo após
                               tanto tempo,
                                 é um acalento,
                                     que
                                       me deixa
                                             em paz.

 


  ...and sometimes,
                     I dream with you,
                       smiling,
                        turning,
                         turning,
                          with the,
                           the arms opened,
                            forever,
                             opened,
                              in my,
                               memories.




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7.4.8 ...

indiferença:
   diferença
      entre
           estar
              não
           e
           existir
             de
           existir
           e
              não
           estar

 

                        a luz morre,
       foge o escuro,
                      enquanto os olhos
         brincam de piscar.

         olhando pra dentro,
               do buraco do peito,
               do jeito que vai,
                       não vai assim despeito.

 

 




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6.4.8 devaneio para o fim da frase

           Vagarosamente a alma flutua,
        na pua de uma luz,
             que infrene entra,
                 vinda da lua.
            Deleita-se sem gravidade,
        entre palavras necrófilas,
            encontrando a paz do escuro abissal
                que reside um certo oceano sem fim,
                     pela eternidade da noite,
                        habita em mim.

 

 

"...tonight, so bright.
            Tonight, tonight.
        We'll crucify the
                   insincere tonight.
     We'll make things right,
                 we'll feel it all tonight.
       We'll find a way
                to offer up the night tonight.
           The indescribable moments of your life
                      tonight.
        The impossible is possible tonight.
              Believe in me as i believe in you,
                         tonight..."
                                   (Billy Corgan)




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