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31.7.9 july ainda espero o sono enquanto o teto em tom cinza-meia-luz reflete o que sinto. a cama vai me engolindo cada vez que respiro e não há muito o que fazer. a rua continua viva, tocando sua música estranha os gritos, os carros, os tiros o silêncio ensurdecedor me invade enquanto morto flutuo em mim. gosto desse sentimento, desse tom do teto, do vendo frio pela janela, da rua estranha e desconhecida do lado de fora. em todos esses anos, meu silêncio, meu companheiro inseparável, habita em mim e me salva do mundo insípido.
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12.4.9 Is there anybody in there?
não há nada, não há nada, dentro ou fora...
por dentro há o nada, não há nada do lado de fora, que me faça acreditar, que possa preencher o lado de dentro...
onde está o sentido das coisas, quando todas as coisas não fazem sentido?
fui embora, me abandonei, hoje sou vago, apenas um corpo, vagando perdido, nesse deserto entre os mortos da tv e os comerciais de margarina...
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8.2.9 falta de ar melhor apagar a luz, para que não veja nada, só quando o nada em você estiver, é que estará pronto para se conhecer... nem sempre tudo é tão simples, quando tudo o que se vê é belo. nem sempre tudo é tão doce, quando o amargo é tudo que se sente... o passado passou, mudo e silencioso... o futuro dalí sorri, assustador e desconhecido... não há nada que se faça para mudar as rugas que surgem e as cicatrizes que batem no mesmo compasso do meu peito.
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6.1.9 longe
longe urge tão pouco foge o anseio surge tudo o que comove
longe urge onde não há nuvem o horizonte é longe não há olho que enxergue
longe tange os lábios fogem na cabeça que arde o peito que expande
longe tange a sina que aflige o tudo que se perde no anseio que me repele...
já faz tanto já faz tempo não foi ontem mas faz sempre...
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26.9.8 let me alone for a while
sempre o mesmo sempre o mesmo desprezo, prezo pelo mesmo desejo
insônia ânsia circunflexo no meio do meu sono...
let me alone for a while while I'm alone let me...
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2.9.8 new fuckin life
tudo novo de novo tudo me consome como se eu fosse uma nova víbora...
as coisas me devoram as hipocrisias não se calam os desejos patéticos se renovam e sim, tudo de novo uma linda e nova não-vida...
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29.6.8 disritmia asíncrona e nebulosa penso em você e me disperso pela tempestade...
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7.6.8 to travessia
já não paro não me calo, não me curo, desse furo feito no meu peito.
meu ritmo segue solto, compassos ternários entre uma lágrima nesse mar revolto e torpores acidentários de um coração ressolto.
assim eu sigo, me engano e não supero, um dia daqui você some. assim espero.
"quando você foi embora, fez-se noite em meu viver. forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar. minha casa não é minha e nem é meu este lugar. estou só e não resisto muito tenho pra falar..." (Milton Nascimento)
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27.5.8 agora, mas só agora.
estou tão só que poderia de repente, sem querer, me sentir único, abandonado, uma página virada de um livro esquecido na estante, empoeirado. só...
mas isso passa, passa sim, o tempo ainda é mais forte, e quando a gente envelhece a música fica mais bonita e as lembranças mais apuradas, mesmo que a saudade doa mais que a morte.
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19.5.8 verset
Ici je suis. Coincé dans ce verset, la hausse à ce que je ou le début ce dont j'ai besoin. De là, je vais. L'inverse, bien, l'inverse s'est produit ...
Aqui estou. Parado nesse verso, o avesso ao que quero ou o começo do que preciso. Daqui eu vou. O verso, bom, o verso passou...
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13.5.8 eu sou assim...
minha voz é precisa e preciso dela pra gritar bem alto, do alto desse tormento, que o mundo, por mais imundo que seja, no fundo amigo, é tudo o que temos e a vida é boa e não há quem tire isso de nós quando nos tornamos nosso próprio abrigo nossa fonte de paz, nossa força a essência que nos faz...
é mais ou menos como diz a canção: "é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte..."
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6.5.8 dela
dela sobrou o rastro estático da minha energia.
dela ficou o espasmo plácido de tamanha euforia.
dela sobrou o cheiro, o estrago, minha eterna agonia.
mas nela ficou meu cansaço como forma de alegria.
nela habita meu espaço que forma nossa sinestesia.
nela me deito agora exausto cheio de nostalgia...
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10.4.5 celos
Você dói! Dói fundo, dói muito, dor pontiaguda, profunda e surda.
Eu me afogo suave, em tácitos goles de ausência. O tango toca tóxico cada acorde, dessa misantropia que sua ausência causa, da voz muda que sua ausência fala, da forma invisível, com que lhe vejo em sua falta.
agora somos só nós, bailando nesta sala, vazia ao som do piano, só nós dois, eu e sua falta.
a dor da falta é um açoite, a dor da falta é como um corte, a dor da falta, é falta de sorte, dói tanto que parece morte, não há quem explique e não há quem não entenda a dor que uma falta faz...
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9.4.8 quanto tempo faz?
Quanto tempo faz? Eu já não te vejo, nitidamente, como te desejo.
Assim vai o tempo, corroendo lentamente. Porque o tempo, quando passa magoa, mas quando morre ecoa.
E o que quer que eu faça, você não passa, no tempo ficou, parada no centro, daquela praça. Com os braços abertos, e olhos fechados, girando, sorrindo, vivendo, no passado, dentro de mim, eternizada, como um anjo, numa viagem sem fim.
E riscado, na minha alma, dorme profundo seu nome.
Cada gesto, cada forma, cada expressão, cada resto de palavra, cada impressão. Sua pele, tatuada em meu peito, sua alma brilhando, suave e sem jeito.
Sua luz, mesmo após tanto tempo, é um acalento, que me deixa em paz.
...and sometimes, I dream with you, smiling, turning, turning, with the, the arms opened, forever, opened, in my, memories.
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7.4.8 ...
indiferença: diferença entre estar não e existir de existir e não estar
a luz morre, foge o escuro, enquanto os olhos brincam de piscar.
olhando pra dentro, do buraco do peito, do jeito que vai, não vai assim despeito.
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